Quando meu sertão deixei.
Era uma dúzia de colegas,
Na escolinha que estudei.
Doze horas foram marcadas,
No dia em que eu nasci.
Doze messes se passaram,
Em cada ano que eu vivi.
Aqui só vejo calçada
E lá nós tinha o terreiro,
Hoje meus amigos só na net,
Lá jogava bola no potreiro.
Doze horas tinha o dia,
Brincar na roça e trabalhar.
Doze também era a noite.
Vigiada pelo luar.
Doze membros da família,
Que na mesa se juntava.
O pão tirado da terra,
Nós mesmos quem plantava.
Hoje só tem veneno
Antes tudo era natural,
O transgênico altera a vida,
Pra aumentar o capital.
Doze cordas minha viola,
Tem ao longo de seu braço.
Abraçado nela e nos acordes,
Canto a vida e ganho espaço.
Doze eram os discípulos,
Ao Jesus acompanhar.
Vão te matar de novo,
Se na terra o Messias voltar.
Sois você o Rei do mundo,
Pai, Filho e o Criador,
Hoje o homem domina tudo
E disso tudo será o destruidor.
Clairton Buffon, Chapecó, 01 de Maio de 2010, http://poetadaterra.blogspot.com/
